Ilustração e seu desafio com as marcas

A imagem tem um papel importante na comunicação humana, como uma forma universal de se fazer entender por todos e por muito tempo. O homem das cavernas perpetuou suas histórias através de gravuras nas paredes, as antigas igrejas sempre contaram as passagens bíblicas com desenhos nos vitrais e, ainda hoje, a ilustração tem a função de comunicar ideias e valores sem a necessidade de um texto explicativo.

O trabalho do artista é autoral e, como tal, expressa ideias e sentimentos. Mas a ilustração também pode ser usada como uma ferramenta de apoio ao Branding, reforçando os objetivos de uma marca ou corporação. De fato, os avanços tecnológicos, técnicas de pintura e estilos puderam ser aperfeiçoados e experimentados de formas inusitadas, garantindo um lugar cativo para a ilustração no design.

Além de estar antenado com as novidades do mercado, é preciso manter uma rotina de treino, estudo e pesquisas. Esse exercício constante é essencial para que o ilustrador consiga dar alma e imprimir sua identidade ao trabalho, destacando sua produção.

Essa identidade é um dos grandes desafios do ilustrador, neste tempo em que a tecnologia facilita a execução, podendo gerar semelhanças nos resultados de trabalhos feitos por profissionais diferentes. Um bom recurso é manter a intimidade com lápis e papel, independente das infinitas possibilidades que as ferramentas digitais oferecem, e aproveitar a demanda do mercado.

A  tendência de uma comunicação cada vez mais personalizada é uma resposta ao fato de os consumidores estarem muito mais exigentes aos diferenciais de cada marca. Uma marca que usa elementos mais artesanais, com uma pegada “handmade”, gera uma integração mais afiada com consumidor, que busca, cada vez mais, relações de consumo mais humanizadas, mais íntimas, “menos industriais”.

É inegável que a ilustração agrega um valor único. Com traçados específicos, movimentos e cores determinadas a partir do equity da marca, ela dá um tom singular, e o consumidor, mesmo involuntariamente, consegue identificar a marca em qualquer lugar e criar uma relação de afinidade.

Um case bacana de como a ilustração se integra a esse conceito é a nova ambientação dos supermercados Zona Sul. As 40 lojas da rede foram completamente reformuladas, pensando em um novo modelo de compra e consumo, com um ambiente aconchegante e intimista, capaz de fortalecer os laços emocionais entre consumidor e marca. As informações sobre ingredientes e sabores, com ilustrações mais despojadas feitas com traços mais soltos e cores quentes, ajudam na hora da decisão de compra do consumidor.

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Quanto mais se explora esta relação de personalizar a marca, maior o valor na hora da decisão da escolha de consumo, seja ele um produto ou um serviço. Isso pode ser feito utilizando técnicas mais manuais, como aquarela, ou até mesmo as mais tecnológicas, como ilustrações digitais ou animações com uso de um mascote/personagem.

O uso de personagens é muito comum em peças de comunicação direcionadas ao público infantil. Um exemplo é o Bocão, da gelatina Royal, que teve sua imagem renovada para atender o público atual e criar novos laços na memória afetiva de quem compra o produto. Mas esse recurso não é uma novidade: há 19 anos, a lâmina das bandejas do Mc Donalds já encantava com ilustrações e diagramação feitas pelo ilustrador Hiro Kawahara.

 

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O fato é que a ilustração tem se provado uma maneira eficaz e eternamente atual de se comunicar. Associada ao design, o elemento agrega valor às marcas, seja em qualidade, diferenciação, autenticidade ou consistência. Ganha quem sabe usar o recurso para conquistar espaço no coração das marcas e dos consumidores.

 

Juliana Nogueira é designer formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Apaixonada por ilustração desde sempre, está na Packaging há quatro anos.

e Mariana Nogueira é designer formada pela Universidade Estácio de Sá. Está na Packaging há três anos e já nasceu desenhando. (http://grafitemagenta.tumblr.com/)

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